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Amacro perdeu aproximadamente 7 milhões de hectares de vegetação nativa de 1985 a 2023

De acordo com dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a AMACRO, que compreende a região de fronteira entre os estados Amazonas, Acre e Rondônia, perdeu aproximadamente 7 milhões de hectares de vegetação nativa, de 1985 a 2023, para a conversão das áreas para o uso agropecuário, um território maior do que o da Irlanda.

Também conhecida como a "Fronteira do Desmatamento", o local ainda é taxado como área de concentração de casos de conflitos agrários. Em Boca do Acre, um dos 32 municípios da Amacro, alguns homicídios que a polícia ainda investiga, foram supostamente efetuados devido a disputa por terras.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), que acompanha esse tipo de violência, afirma que em 2023, a Amacro concentrou 10% [179] de todos os conflitos por terra registrados no país, e 26% de todos os assassinatos ocorridos em contexto de conflitos no campo.

Dos 31 assassinatos relacionados a esses tipos naquele ano no país, oito foram na região, sendo cinco causados por grileiros, de acordo com a CPT. Em 2021, dos 60 registros de conflitos no campo no estado do Acre, 51 estavam na região da Amacro.

A região enfrenta desafios significativos, como a necessidade de proteger a floresta amazônica, garantir o desenvolvimento socioeconómico da população local e lidar com os conflitos de terra e a violência rural. Entre 2018 a 2022, a abertura de áreas para a agropecuária cresceu em média 5,61% por ano, o equivalente a mais que o dobro da média para o bioma brasileiro.

De acordo com dados da rede MapBiomas, em 13 dos 32 municípios que fazem parte da AMACRO, a agropecuária já ocupa mais áreas do que as florestas. Entre eles, 6 estão situados no Acre: Plácido de Castro, Senador Guiomard, Acrelândia, Capixaba, Epitaciolândia e Porto Acre.